16 out

Porteiros que dormem

Saiba o que fazer para ajudar funcionários de portaria a se manterem acordados durante a noite.

Essa semana uma notícia balançou o mundo condominial. Uma empresa de segurança para condomínios apontou que cerca de 70% de vigias e porteiros que trabalham à noite acabam dormindo em serviço.

Conversando com diversos especialistas, o SíndicoNet apurou que realmente boa parte desses trabalhadores cochilam ou dormem em serviço.

“Dormir durante o serviço é longe do ideal, mas temos que lembrar que o ser humano foi feito para trabalhar durante o dia e descansar de noite”, argumenta Nilton Migdal, especialista em segurança de condomínios.

Coisas básicas como respeitar a folga do porteiro, assim como feriados e férias são essenciais. Um salário condizente com a responsabilidade da função ajuda bastante. Muitos funcionários dormem em serviço principalmente por terem dois trabalhos – essa é uma realidade em muitos condomínios.
O que fazer

Mas não é por flagrar o funcionário cochilando vez ou outra que o síndico deve mandá-lo embora, ou pedir sua imediata substituição à empresa terceirizada.

O condomínio pode, sim, colaborar oferecendo um bom ambiente de trabalho, como:

Sistema “alerta vigia”, em que o porteiro ou vigia deve acionar um botão em um intervalo pré-determinado. O melhor é que o colaborador precise levantar para apertar o botão.

Assim, se movimentando, se espanta um pouco do sono. O ideal é que esse sistema seja online, ligado a uma central de monitoramento. Assim, caso o profissional não aperte o botão no tempo correto, alguém imediatamente entre em contato para saber se está tudo ok na portaria

Câmera na portaria: é possível saber o que acontece o tempo todo na portaria. Com câmeras ligadas a uma central, o porteiro e todo o condomínio se sentem mais resguardados em sua segurança, já que, caso o local seja invadido por bandidos, a central de monitoramento consegue acionar a polícia rapidamente.

Também evita que o colaborar desvie a sua atenção do trabalho para outras coisas, como uso excessivo de smartphones para jogos, filmes ou redes sociais. O custo médio para instalar e manter um sistema desse tipo no condomínio é de R$ 1 mil por mês – independente do número de portarias ou guaritas no local.

Um ponto negativo da câmera na portaria ou guarita é a de falta de privacidade que os colaboradores podem sentir em seu ambiente de trabalho. Por isso, o ideal é que os moradores não tenham acesso ao que essa câmera filma, ficando restrito esse conteúdo à empresa de segurança.

Também é importante que haja uma placa avisando que aquele local está sendo filmado, e que a filmagem é protegida nos termos da lei.

Sistema linear: é uma forma de avisar o porteiro, quando alguém está chegando, através do acionamento de um botão de dentro do carro. Assim, conforme o morador se aproxima, o porteiro vê na sua tela quem está chegando, em qual carro, e como está o movimento da rua naquele momento. Nesse caso, o preço de implantação depende muto do número de unidades do local

Rede de Comunicação Integrada: este recurso figura como uma das formas mais eficientes de combate aos cochilos. Ele promove a integração entre outras portarias, tem baixo custo e grande eficiência, mas deve ser implantada com muito critério. Se não for feita adequadamente pode virar um “rádio-fofoca” (saiba mais). Seguindo a mesma linha, essa comunicação por rádio também pode ser feita entre a portaria e a ronda motorizada, caso o condomínio tenha este serviço.

Portaria virtual: apesar de ainda apresentar resistência por parte de muitos síndicos e moradores, é uma alternativa que vem ganhando força nos últimos anos em condomínios residenciais. O custo de aquisição e implantação é elevado, mas ganha-se com a economia gerada na redução do quadro de funcionários. Com este recurso o condomínio abre mão dos funcionários da portaria e passa a ser vigiado e controlado remotamente por uma empresa especializada. (saiba mais / veja empresas aqui)

Dupla jornada: apesar de não ser ilegal o colaborador ter dois empregos, desde que na jornada 12h x 36h, o condomínio deve pesar seriamente se vale a pena contratar um funcionário que trabalhe em outro local e que, por isso, talvez não consiga estar descansado o suficiente para trabalhar durante a noite.

Portaria climatizada: um local que não esteja abafado, mas fresco, diminui o sono

Uniforme: é imprescindível que o condomínio ofereça um uniforme de frio adequado, com uma boa jaqueta – evitando que o funcionário precise levar uma manta para se aquecer

Café: deixar uma garrafa térmica na guarita ou portaria ajuda a manter o funcionário acordado

Cadeira adequada: se o porteiro vai passar oito horas sentado, é importante que ele se sinta confortável

Missão: deixar o profissional ocioso durante várias horas não ajuda a combater o sono. Quem trabalha de noite pode adiantar papelada para o turno da manhã, separar correspondência, ou passar algo a limpo. O que não se deve é deixar o colaborador sem nada para fazer

O que não fazer

Da mesma forma há situações que o condomínio deve evitar, como:

Manter televisão na portaria. O porteiro não deve ter distrações durante seu turno, deve se esforçar para trabalhar da melhor maneira possível
Sair para caminhar pelo condomínio. Se houver apenas um profissional no turno da noite, o mesmo deverá permanecer em seu posto, saindo apenas para ir ao banheiro

Como lidar

É evidente que o condomínio ou o síndico não contratam um profissional ou colaborador para cuidar do local à noite para que essa pessoa durma durante o serviço.

É igualmente claro, porém, discernir dois tipos de dorminhocos. Um é aquele que cochila na cadeira, em seu posto. Alguém que luta contra o sono. Outro bem diferente é aquele flagrado dormindo no chão da guarita, em um colchonete, com cobertas, que ele trouxe para esse fim.

Em todo caso, o ideal é que haja conversa entre o profissional e o condomínio – seja por meio do síndico ou do seu líder na empresa terceirizadora.

Se o condomínio perceber que o sono durante o trabalho está se tornando algo constante, e que esteja atrapalhando a performance do colaborador, o ideal é, depois de conversar sobre o assunto, sempre que for flagrado dormindo: advertir duas vezes formalmente, depois suspender duas vezes e apenas então desligá-lo do condomínio.

“Nós não recomendamos dispensar o colaborador por justa causa por dormir em serviço durante a noite. Geralmente o funcionário, insatisfeito, consegue reverter esse ponto na justiça”, assinala Ricardo Karpat, diretor da Gábor RH.

Fonte: sindiconet

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