04 fev

Sorocaba vive epidemia de dengue

Nos primeiros 28 dias de janeiro, 547 pessoas adoeceram, segundo a Secretaria da Saúde.

Sorocaba está vivendo uma epidemia de dengue. Nos primeiros 28 dias deste ano 547 pessoas adoeceram, sendo que do dia 15 de janeiro até anteontem, dia 28, o número de infectados na cidade saltou de 62 para 547. Em 13 dias, o índice multiplicou em quase 9 vezes, ou 782%, infectando uma média de 37 sorocabanos a cada dia.

O problema foi anunciado pela Secretaria Municipal da Saúde (SES) na tarde de ontem, quando o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) assinou o decreto que coloca Sorocaba em estado de emergência para a dengue. Antes de acabar o primeiro mês, 2015 já tem mais do que os 469 confirmados em todo o ano passado. “Um momento crítico, a gente nunca viu um cenário desse no município”, reconheceu a diretora da Vigilância em Saúde da SES, Daniela Valentim dos Santos, ontem, durante coletiva à imprensa. Dos 547 deste ano, 487 foram contraídos na cidade (autóctones) e outros 60 adquiridos em outros municípios (importados). Em 2014 foram 341 autóctones e 128 importados. Se considerado o período de transmissão da doença no País, de 29/06/14 a 27/07/15, são 734 casos em Sorocaba.

Bairros em alerta

Os casos predominam onde há maior concentração de pessoas. A transmissão ocorre mais nas regiões dos bairros Vila Barão, Lopes de Oliveira, Maria Eugênia, Nova Esperança, São Guilherme, Parque São Bento, Vila Angélica, Maria do Carmo, Fiori, Mineirão e Nova Sorocaba, classificadas pela Prefeitura como a área noroeste e centro-norte de Sorocaba. Na sequência, o alerta são para os bairros da região sudoeste e norte, enquanto a zona leste está na fase inicial da proliferação. De acordo com a diretora Daniela Santos, Sorocaba foi uma das últimas cidades de seu porte a enfrentar esse cenário. “Quando começa a transmissão a progressão é geométrica, assim é a dengue”, declarou. Segundo ela, tal situação era previsível há alguns anos e agora, com dias em que chove e imediatamente faz sol, a atmosfera abafada propicia o clima ideal para a rápida procriação do mosquito que transmite a doença, o pernilongo Aedes aegypti.

Atendimento gratuito

Para atender a demanda de doentes, o secretário municipal da Saúde, Vagner Guerrero Rinaldo, disse que o atendimento público gratuito é prestado nas 31 Unidades Básicas de Saúde (UBS – postinhos nos bairros), três Unidades Pré-Hospitalares e dois Pronto- Atendimentos. Quem tiver algum dos sintomas, como febre, vômito, dor no corpo, dor na cabeça ou dor atrás dos olhos deve procurar imediatamente a UBS mais próxima de sua residência.

A situação de emergência decretada ontem pelo prefeito permite que os serviços de combate à proliferação e atendimento sejam contratados pelo município sem a exigência de concorrência pública. Daniela estima que os investimentos para combater a dengue possam elevar em 40%.

Com ha previsão de aumento na procura spor atendimento médico, serão buscados os espaços vagos nas unidades de saúde para acomodar os doentes. A diretora da Vigilância em Saúde disse que para isso haverá a necessidade de aumentar os leitos de hidratação por meio de soro, mas que não precisam ser necessariamente para que os pacientes fiquem deitados. Anunciou que a partir da semana que vem a coleta para a constatação da doença será feita em uma pessoa de cada grupo de dez que chegarem com os sintomas, e de todos os que precisarem de internação. “Vamos começar a fazer o exame por amostragem, como orienta o Ministério da Saúde, a partir do momento que a doença está instalada na cidade, com grande número de casos”, disse Daniela.
O secretário-chefe do gabinete do Poder Executivo, Rodrigo Maldonado, disse que o sorocabano não precisa armazenar água em casa, já que não há desabastecimento na cidade. Lembrou que ocorreram problemas nos últimos dias por problemas pontuais na rede, mas em Sorocaba não falta água. Daniela disse que nas ações de fiscalização e retirada de entulho foram encontrados até galões sob calhas para reservar água.

Prevenção é fundamental

A Prefeitura divulga que todo cidadão deve fazer a sua parte e eliminar de casa todos os materiais que possam acumular água da chuva e se transformar em criadouros do mosquito transmissor da dengue. Alerta sobre a necessidade de confirmar se não há nenhuma calha entupida, objetos espalhados no quintal e vasos de plantas que acumulem água. E divulga como fundamental tampar vasos sanitários e cobrir a piscina. “Estamos em alerta e preocupados com a situação. Não é um momento de pânico, e sim de ação. Por isso é fundamental que toda a população fique atenta aos cuidados preventivos contra o mosquito transmissor da doença, já que os registros estão aumentando a cada semana”, declara Daniela.

Share this

Leave a reply

Solve : *
14 ⁄ 7 =